Sobre amores e garrafas vazias de vinho.

domingo, 5 de agosto de 2012

Sobre a Moça,


Sempre escrevo (ins)pirado pelo que cada vida me trás (cada dia).
Hoje a inspiração trans(pira)  pelos poros, tento contê-la, ela vaza da minha boca, mãos e letras. Aqui estou, em uma tentativa louca de fugir da minha imaginação, desvia-la em frases que salvem o resto de sanidade que ainda insiste.

Entregar-me-ei a correnteza, sem saber nada.

A Moça estava ali, linda. E suas vestes? Não me recordo, acho que nem olhei, mas lembro-me muito bem daquele olhar. Em silencio, não disse nada. Fez se um livro de Dan Brown, mas a partir de sentimentos (in)compreensíveis.
O mundo deixava de existir quando minhas mãos tocavam na pena, só conseguia juntar aquele ‘bolo’ de palavras, porem organizadas, e aquelas 4 letras a se formarem em todos os cantos da folha: M – O – Ç – A. Cheguei a amassar o papel com toda intensidade do meu desejo, até que publiquei um livro com todo devaneio que trasbordava. Deixava vazar todo aquele sentimento. Olhos, Nariz, mãos, ouvidos e língua se aguçaram para a Moça.
Relia minhas próprias palavras, o que elas queriam dizer?
Como assim? Eu que a escrevi! O que elas dizem? Por que aquelas palavras se colocaram ali naquelas sequencias?
Naquele momento, que todo corpo já não se contem, todos os sentidos querem se expor, coração entalado na garganta e as veias.. Ah, as veias; entupidas de vinho, não mais aquele vinho barato que me acompanhava na boemia. Palavras, vertidas.

Moça perdoe-me, tive que quebrar o silêncio com minhas palavras.
Sem entender, e talvez encantada
(maldito seja o talvez) a moça manteve-se calada.
A lua a nos observar, dois amadores que desconheciam o amor
(ou conheciam demais) . Faça se o sonho, realidade. [Faça,]
 Os lábios da moça moveram, abriram levemente, os dentes a tocar com suavidade a parte inferior. Um gosto que ainda não provei, mas já quero mais.
Seus lábios, tormento. Meu corpo inquieto, incontrolável, desejando o que no intimo já se estava concretizado. É como o vinho (Ah, os seus lábios misturados ao sabor do vinho) vai entrando em cada veia, mexe com todos os sentidos, apossa-se de mim, quando eu vejo já não me pertenço.
Quando ela se faz ausente, meus olhos começam a desenha-la, ensombrando seus lábios, rabiscando sua cintura, esboçar seus seios e toda sua beleza. [Bela, se faz]. Moldar com meu desejo sua nudez.

Há em meu intimo um desejo, a mais sábia loucura de minha vida.

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